Sistema OCB/GO mostra como cooperativas podem se proteger de ciberataques na era de IA
04/04/2025
(Foto: Reprodução) O 4º Fórum de Tecnologia e Inovação reuniu especialistas para debater cibersegurança e Inteligência Artificial Auditório da OCB/GO ficou repleto de interessados em segurança digital
Sílvio Simões
O 4º Fórum de Tecnologia e Inovação, realizado pelo Sistema OCB/GO nesta quinta-feira (3), transformou o auditório do Edifício Goiás Cooperativo em um hub de debates sobre cibersegurança e Inteligência Artificial (IA). O evento reuniu cooperativistas e profissionais de TI para discutir os desafios e oportunidades da era digital para o setor.
Na abertura, Luís Alberto Pereira, presidente do Sistema OCB/GO, destacou os investimentos em inovação que a entidade tem feito e a importância de inspirar as cooperativas goianas. “Tenho certeza de que vocês vão levar muitas ideias de volta para iniciar processos de inovação em suas cooperativas”, afirmou.
Riscos
O primeiro painel abordou os riscos cibernéticos no contexto da IA, com moderação de Gustavo Duani, COO da Infomach. Ele ressaltou que a segurança da informação não deve ser vista como custo, mas como investimento essencial. “Um único ataque pode causar prejuízos imensos”, destacou.
João Oliveira, CISO do Grupo Madero, reforçou a necessidade de desconfiar sempre. “Os hackers estão constantemente buscando enganar os usuários. A prevenção deve ser contínua”, disse. Já Izaías Gomes, do Grupo Piracanjuba, enfatizou a importância da educação dos colaboradores. “Ataques são altamente personalizados. É preciso conscientizar as equipes para desconfiar de ofertas suspeitas e proteger os dados corporativos”, explicou.
E o que fazer depois que um ataque cibernético acontece? Esse foi o tema debatido em outro painel, desta vez com Rodrigo Almeida, do Conselho Nacional de Justiça, que compartilhou sua experiência na recuperação do Superior Tribunal de Justiça (STJ) após o ataque hacker de 2020. “Segurança da informação é trabalhar com a possibilidade de falha. Precisamos ser resilientes”, afirmou.
Deepfake
Fouad Ata, CTO da Infomach, com mais de 25 anos de experiência em TI e segurança da informação, chamou atenção para o lado negativo da IA nas mãos de criminosos. “Antes, os e-mails de phishing tinham erros de português, e isso ajudava a identificá-los. Hoje, com IA, criminosos de qualquer país criam mensagens perfeitas, imitando instituições financeiras para roubar dados bancários”, alertou.
Fouad também destacou o perigo do deepfake. “Hackers já simulam ligações de vídeo falsas, usando a voz e a imagem de gestores para enganar colaboradores e solicitar transferências fraudulentas via PIX. A tecnologia está tão avançada que fica difícil distinguir o que é real”, explicou. Mas a IA também é uma forte aliada. Fouad ressaltou que “hoje existem antivírus modernos que só usam IA”.
Antonio Alves, fundador da Auramind.ai e da Infomach, reforçou que a IA já está no dia a dia das empresas. “A IA não é mais o futuro, é o presente. Mesmo que empresas e entidades ainda não tenham implementado formalmente essas ferramentas, seus colaboradores já estão usando no cotidiano”, disse. “Pela primeira vez na história, algo revolucionário nasceu barato”, acrescentou.
Smartcoop
Um dos destaques do evento foi a apresentação da Smartcoop, plataforma de inteligência agrícola representada por Guillermo Dawson, vice-presidente da CCGL. A ferramenta cruza dados climáticos, sanitários e de produtividade para auxiliar o agricultor na tomada de decisão.
Com imagens de satélite, a plataforma monitora lavouras e identifica problemas pontuais, como variações no vigor das plantas. “Atualmente, a Smartcoop atende 26 cooperativas, com 18 mil usuários ativos e 847 mil hectares mapeados no Rio Grande do Sul”, disse Guillermo.
Antifraude
O 4º Fórum ainda abordou o tema “Sistema Antifraude e Inteligência de Dados”, com João Paulo Machado, superintendente de Operações de TI do Sicoob, e Thiago Labliuk, gerente executivo de Riscos e Prevenção para Brasil e Latam na Edenred.